terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Por que não utilizar o 4×4 no asfalto molhado?


Uma das maiores dúvidas que vejo entre motoristas de veículos 4×4 é em utilizar ou não a tração integral (ou o famoso 4×4) em estradas em dias de chuva. Muitos relatam que sentem o veículo mais firme quando utilizam a opção 4×4 em estradas asfaltadas molhadas, principalmente nas curvas.
Esse entendimento é totalmente equivocado, pois trafegar em 4×4 no asfalto molhado é muito perigoso, salvo em veículos com diferencial central, mas que são a minoria. Apenas para deixar claro, estamos falando de asfalto, que é considerado superfície de alta aderencia, mesmo molhado. Em estradas de terra, pode usar a vontade a opção 4×4 do seu veículo.


Grande parte das pickups, SUVs e Jipes são 4×4 Part Time, ou seja, sem diferencial central. Isso faz com que a tração seja enviada 50% para o eixo dianteiro, e 50% para o eixo traseiro. Para andar em linha reta não há problemas desde que o desgaste dos pneus estejam perfeitamente identicos, porém não há sentido em utilizar o 4×4 em linha reta.
Da física que aprendemos no segundo grau, o coeficiente de atrito de um objeto em inércia é maior do que o coeficiente do mesmo em movimento. Assim a força para tirar um objeto da inércia é superior a necessária para mante-lo em movimento. Ouvimos muito falar de que não devemos freiar na curva, correto? Isso deve-se ao fato de que os pneus do carro, em relação ao solo e a curva, estão em inércia durante uma curva. Quando pisamos no freio, parte desse atrito é passado às pastilhas de freio, perdendo uma parte do atrito com o solo. A força que o veículo exerce sobre os pneus aumenta e, caso esteja no limite da aderencia, consequentemente perderá o atrito que o segurava na curva, fazendo o veículo derrapar. Aí não tem mais o que fazer pois já perdeu a força que o segurava na curva.

Curva
Diferença de Trajeto dos Eixos em Curva

Agora, voltando ao uso do 4×4 em casos de asfalto molhado. Em uma curva, os eixos dianteiro e traseiro de um veículo percorrem distancias diferentes conforme a figura ilustra. Os pneus também percorrem distancias diferentes, porém os diferenciais dianteiro e traseiro compensam essa diferença de velocidade das rodas. Já no caso dos eixos, como a maioria dos veículos 4×4 não possuem diferencial central, terão velocidades iguais na dianteira e traseira exercida pela caixa de transferencia. No caso da curva, onde o eixo traseiro percorre uma distancia menor que o dianteiro, as rodas que acabarão compensando essa diferença, realizando pequenas derrapagens durante o percurso da curva. Essa falsa sensação do veículo andar mais firme nas curvas estando em 4×4 na verdade é a sensação que temos do mesmo tender a andar em linha reta! E como explicado anteriormente, em uma curva queremos sempre que os pneus estejam em inércia em relação ao solo, e essas pequenas derrapagens para compensar a diferença de velocidade dos eixos fazem com que o veículo perca o atrito que o mantém na curva. Em baixas velocidades isso não será problema, porém o veículo corre muito mais risco em rodar numa curva estando em 4×4 do que em 4×2 no caso de asfalto molhado.
No caso de veículos equipados com diferencial central, também conhecidos como tração Full Time, esses podem trafegar em 4×4 pois o diferencial central tem a função de compensar essa diferença de velocidade dos eixos.
Aproveitando, por esses motivos também devemos realizar sempre o rodízio frontal/traseiro a cada 5.000Km, para manter o desgaste o mais uniforme possível, pois pneus com diâmetro diferente na traseira e dianteira forçam o conjunto como um todo, desgastando prematuramente cardans, caixa de transferencia, caixa de cambio, semi-eixos, etc. A velocidade enviada pela caixa de transferencia para os eixos será sempre a mesma e uniforme, e pneus com diâmetros diferentes percorrem distancias diferentes em uma volta completa.

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