domingo, 23 de março de 2014

Sengés (Vale do Itararé)


Natureza: 5
Dificuldade: 4
Beleza: 5
Notas que variam de 1 a 5






Esse é um dos passeios que mais recomendo a ser feito aqui no Paraná. A razão do título, talvez um pouco confuso, é que a cidade de Itararé/SP investe forte no turismo de aventura, sendo assim mais conhecida como destino offroad da região. Mas na verdade as cachoeiras, trilhas e Canyon ficam na cidade de Sengés, no Paraná. O local é ótimo para finais de semana e feriados, visto que oferece inúmeras opções de aventura offroad e estrutura totalmente aconchegante de cidade de interior. A região é divisa dos estados do PR e SP, e conta com várias opções de passeios offroad, com vários graus de dificuldade.






Como são vários os passeios, vou dividí-los em três posts, sendo esse sobre dois roteiros que podem ser feitos partindo de Sengés, e o próximo mais voltado para a cidade de Jaguariaíva, também no PR. Esse segundo conta com o famoso túnel Fábio Rego, desativado e muito procurado por aventureiros 4x4.

Duas empresas de turismo de aventura operam na região, sediadas em Itararé, fornecendo todo apoio, acomodações, alimentação e acompanhamento nos passeios. Por outro lado todos os trajetos podem ser feitos livremente, caso prefira não ficar preso a horários e trajetos específicos. Quando fomos a primeira vez ficamos hospedados em Sengés, em um hotel muito simples mas confortável e acolhedor, típico hotel que gostamos de ficar em cidades pequenas no interior. Chama-se Hotel Sengés (www.hotelsenges.com.br) e fica na rodovia mesmo. Fica a dica de, logo na reserva, solicitar um frigobar e quarto com Ar Condicionado, visto que não são todos os quartos que dispõe desses recursos. O Hotel conta com um café da manhã bem caseiro e agradável e wifi. Na segunda vez ficamos em Itararé (8Km de distancia), que dispõe de mais opções de hospedagem e alimentação.



Mesmo indo em dois feriados não conseguimos conhecer tudo que a região oferece. Mas os principais pontos estão mapeados nos tracks no final do post. Basicamente a região oferece cachoeiras, trilhas e um Canyon. Muitos locais são propriedades privadas, mas abertas a visitação. Assim, como sempre, devemos manter o respeito com relação a lixos, barulho e depredações para que as portas continuem abertas para nós.






Saindo de Sengés, existem dois roteiros principais que podem ser seguidos. O primeiro, menor, compreende a Cachoeira do Navio, Cachoeira do Lageado e Canyon do Jaguaricatu.





Cachoeira do Navio

A Cachoeira do Navio é a primeira do trajeto, e tem esse nome em função do seu formato. Pode-se
deixar o carro logo após a ponte, na estrada, e descer uma trilha a pé para tomar banho na cachoeira.





Cachoeira do Lageado
Seguindo no trajeto, a próxima parada é talvez a principal cachoeira da região que se pode observar de perto e entrar na água. Chama-se cachoeira do Lageado, e também é conhecida como Véu da Noiva. Deixando o carro estacionado, tem-se uma boa caminhada até a sua base. A paisagem é linda, e vale muito a pena um mergulho em dias quentes, tomando cuidado para não chegar muito perto da queda em si, pois é muito forte. A maior parte da lagoa formada é relativamente rasa, mas é sempre bom ter cuidado pois existem pontos bem fundos. Existe o acesso pelo lado de cima da cachoeira, mas não chegamos a ir pois já era tarde e tínhamos chão pela frente. É só seguir pela estrada que tem uma placa indicando.



Entrada do Canyon do Jaguaricatu
Seguindo o caminho, a próxima parada é no Canyon do Jagauaricatu. O acesso ao Canyon se dá saindo da estrada e seguindo por um caminho dentro de uma propriedade particular, formado no meio de uma plantação. Em uma das vezes que fomos a plantação de trigo estava alta, e um mês depois a colheita já tinha sido realizada. Em ambas consegue-se identificar o caminho que deve ser seguido para chegar até o Canyon.




Canyon do Jaguaricatu
Chegando no Canyon, temos a opção de deixar o carro na parte de cima e seguir a pé, ou descer de carro por um pequeno trajeto de erosões. Somente desça de 4x4, preferencialmente com pneus offroad, pois a volta é um pouco complicada. Sugiro analisar bem o terreno antes de descer, pois o tráfego constante de visitantes naturalmente vai prejudicando a trilha. Se quiser aventura e estiver com um 4x4 preparado, pode descer que é diversão garantida. Apenas tome cuidado na hora de andar pelo terreno do Canyon, pois é um terreno muito acidentado, com rochas pontiagudas que podem danificar os pneus. Também estavam querendo proibir o tráfego de veículos por cima do Canyon em função do dano que causa nas formações rochosas. Por isso recomendo deixar o carro e passear a pé, pois é bem provável que já esteja proibido andar de carro por ali.

O primeiro passeio se encerra por aqui, onde seguindo o trajeto mapeado no GPS como "Volta Menor Sengés" voltamos para o centro da cidade, finalizando a menor volta. Considerando as paradas com um tempo razoável, pode-se realizar esse trecho em 4 horas com folga para fotos e até um mergulho.



Trilha do Rio
O outro trajeto, maior e com mais pontos de visitação, oferece um desafio offroad maior, onde é inviável realizá-lo sozinho, ainda mais com um veículo sem preparação. Além das duas cachoeiras e do Canyon, por esse caminho temos acesso à Cachoeira dos Veadinhos, famosa pelas fotos dos veículos 4x4 enfileirados em cima dela, e a Cachoeira da Cabeceira, ou Cachoeira do Lajeadão, onde também são tiradas fotos dos veículos offroad na sua parte superior.




Trilha do Rio
Esse segundo trajeto conta com um trecho longo em uma trilha com muitas erosões e uma travessia de rio. O começo da descida para a Cachoeira dos Veadinhos fica mais ou menos no meio da trilha. O sentido mapeado no segundo track desse post é um pouco mais fácil, pois ele desce a trilha. Caso opte por fazer o contrário, subirá a trilha das erosões, sendo assim mais desafiador e difícil. Já fiz os dois e sem dúvida subir a trilha não é fácil e necessário ir em no mínimo dois veículos. Carros com bloqueio nos diferenciais central e traseiro passarão com menos problemas. Outro ponto muito importante são os angulos de ataque e saída, que devem ser grandes no veículo. Vi uma Pajero Sport deixar o parachoque traseiro na trilha.


Desvio da Trilha
Essa trilha é conhecida como Trilha do Rio, e mais ou menos na metade dela a erosão tomou metade da estrada, inviabilizando continuar todo o trajeto nela. Nesse ponto temos um desvio, que leva até a travessia do rio. Esse desvio de dá por uma propriedade particular, em meio a uma plantação. Para atravessá-la tem que prestar muita atenção onde está a trilha, para não prejudicar a plantação do proprietário. Como o local é de acesso livre, devemos respeitar as propriedades particulares, e caso alguma esteja fechada ou com alguma sinalização proibindo o transito, dar meia volta e não continuar o caminho.

A travessia do rio não é complicada, e o rio bem raso. Apenas deve-se tomar cuidado com alguns panelões dentro do rio, onde cabe um pneu inteiro dentro dele.


Barro Preto
Seguindo a trilha, começamos a encontrar o famoso barro preto da região, muito difícil para sua transposição mesmo em veículos com pneus de lama. Atolar ali é fácil e sem muitos pontos disponíveis para ancoragem. Por isso deve-se, no mínimo, estar em dois veículos ou mais. Mas todos os pontos onde temos o barro preto, existe uma rota alternativa para seguir caminho. O problema é que as vezes nem sempre conseguimos identificar o trecho de atoleiro, ficando assim fácil cair em um deles.



Cachoeira dos Veadinhos
Logo após cruzar o rio e pegar uma leve subida com erosões, chegamos no ponto de entrada para a trilha que leva à Cachoeira dos Veadinhos, que se dá através de um Vale em declive. O trecho é sinuoso, com um caminho fácil de se identificar, mas com vários pontos de barro preto. No final desse caminho chegamos na Cachoeira, onde as operadoras de turismo offroad enfileiram os veículos para tirar a foto em cima da cachoeira. Parece que iam proibir o tráfego de veículos dentro do rio, impossibilitando assim a famosa foto. É bom se informar com o setor de turismo da prefeitura de Sengés/PR antes de ir para saber quais pontos estão liberados e quais foram proibidos antes de se aventurar nas trilhas da região.



Trilha do Rio
Voltando pelo mesmo caminho que descemos para a Cachoeira, e tomando cuidado (ou não) para não cair nos atoleiros, seguimos pela trilha das erosões, que agora é em declive até a estrada. Esse ponto é o mais difícil, pois as erosões estão cada vez maiores, mas muito divertido e gratificante. É sem dúvida o melhor trecho para quem procura desafios offroad, onde é exigido técnica e perícia do piloto. Talvez o maior problema é não termos caminhos alternativos, e o retorno é praticamente impossível pois estamos em uma valeta aberta no meio da mata.




Cachoeira da Cabeceira
Chegando na estrada, o caminho de volta para Sengés ainda conta com outra cachoeira, conhecida como Cachoeira da Cabeceira. Atravessamos ela pelo lado de cima, cruzando o rio que forma a cachoeira. Pode-se também colocar o veículo em cima dela para fotos. Existe, na sua lateral, uma trilha para ser seguida a pé que leva até sua base, onde é possível tomar um banho e se refrescar nos dias quentes.




Na cidade de Sengés ainda temos várias outras opções de cachoeiras, vales, trilhas, rios, etc. Um final de semana não é suficiente para conhecer metade do que a região oferece. O grande desafio é encontrar suas atrações, pois, por se tratar de uma cidade onde o foco é a produção de papel, o turismo rural é deixado de lado. Uma pena, pois já fomos em cidades com metade do potencial de Sengés para o turismo de aventura, mas muito mais conhecidas como destinos para esse fim, devido a um investimento forte nessa área.

Não deixe de conversar com as pessoas que moram por lá, principalmente comerciantes. Eles conhecem os locais, são muito hospitaleiros e te ajudam muito dando dicas de lugares para visitação. Nós mesmos acabamos conhecendo essas duas voltas por um mapa feito a mão pelo dono do Hotel Sengés. Ele ajudou muito, e explicou com todos os detalhes os caminhos que deveríamos seguir para conhecer os atrativos da região.

Sem dúvida uma das principais regiões para se conhecer no Paraná.






Volta Menor Sengés (Vale do Itararé)

Arquivo GPX

Arquivo KMZ



Volta Maior Sengés (Vale do Itararé)

Arquivo GPX

Arquivo KMZ



Trilha GPSies (Volta Menor)




Google Earth Fly (Volta Menor)




Trilha GPSies (Volta Maior)






Google Earth Fly (Volta Maior)





Album de Fotos


























































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